Facção, Subversão e Insurreição

Por Jeffrey Nyquist

1


Escolhemos como o primeiro dos lemas o que afirma que facções e partidos são perigosos… Eles devem ser refreados com bons conselhos sempre que possível… Todos os meios devem ser empregados para remediá-los…

Jean Bodin

O teórico do século XVI Jean Bodin nos alertou que, se os conflitos de facção não puderem ser resolvidos por processos legais, o soberano “deveria recorrer à força para extingui-los ambos, punindo os líderes mais destacados antes que eles se tornassem tão fortes que não pudessem ser derrotados.”

Da mesma maneira, os Estados Unidos da América estão obstruídos por conflitos faccionários que não podem ser solucionados por um processo legal, pois a própria lei foi subvertida. E neste momento, ainda que esperássemos o contrário, não há um soberano poderoso o suficiente para “recorrer à força para extingui-los … punindo os líderes mais destacados” pois em nosso sistema político “o povo” é quem desfruta da soberania, e o povo está dividido em dois lados hostis, um oposto ao outro.

A título de exemplo, o presidente Trump fez um discurso de 4 de julho no Monte Rushmore. Ele honrou os presidentes Washington, Jefferson, Lincoln e Roosevelt, prometendo defender esse e outros monumentos conta o vandalismo. Em resposta a CNN disse que “Trump volta a insistir nas mensagens divisivas” e a CNBC afirmou que Trump estava atiçando “divisões nacionais.”

Nos Estados Unidos de hoje há duas forças soberanas — duas noções diferentes do que seja o “nós o povo” — usando palavras como “justiça”, “liberdade” e “bom governo” para representá-los. Mas cada uma dessas forças entende essas palavras de maneira diferente; e essas diferenças não são negociáveis, nem pode haver acordo entre elas. Bodin nos alertou que “é mais fácil prevenir uma invasão do que expulsar um inimigo que já nos tenha invadido”, assim como “é melhor prevenir a sedição do que remediá-la.” E aí ele acrescenta, como a falar diretamente conosco, “isso é ainda mais difícil num estado popular que em qualquer outro”.

O problema da soberania em um estado popular dividido (como o nosso) é exatamente o que enfrentamos agora, pois a Constituição dos Estados Unidos é algo estranho à maioria das pessoas que ocupam o governo efetivo que se formou sob ela, ainda mais quando os interesses e idéias do governo estão em desacordo com “o povo”, ou o que sobrou dele após diversos grupos “vitimizados” se separarem para formar um “novo povo.”

Durante muitas décadas, uma minoria subversiva tentou se transformar numa maioria soberana inexpugnável — mais recentemente recorrendo à importação de milhões de estrangeiros ilegais “não-brancos”, contrabandeados que atravessam uma fronteira condenada como “racista.” Essa pretensa maioria soberana deseja alijar as tradições da nação, seus símbolos nacionais e até mesmo os ideais nacionais.

Essa é uma tentativa de subverter “o povo dos Estados Unidos” em prol de uma pirataria e de um banditismo fundado no “socialismo” ou “marxismo” ou “comunismo”, mas, por um expediente tático, prefere camuflar-se sob a pecha de “anti-racismo.” Ao tentar construir uma nova soberania majoritária, diversos grupos marxistas formaram uma coalizão de mulheres enfurecidas, jovens lobotomizados, minorias “oprimidas” e estrangeiros.

Referindo-se a si como “progressistas”, essa facção alega representar “o povo”. E aqueles que foram representados pela expressão constitucional “nós o povo” são acusados de “racistas”. As instituições políticas americanas, o livre mercado e a polícia são acusados de “sistematicamente racistas”. Por conseguinte, as estátuas dos heróis e fundadores dos Estados Unidos devem vir abaixo, a bandeira nacional queimada e os monumentos profanados.

Esse esforço para destruir os símbolos americanos e difamar seus fundadores não deveria surpreender ninguém. Durante a metade do último século, uma “facção subversiva” meramente começou a dominar as universidades, o governo e a mídia americanas. O mandato de Barack Obama catalisou suas expectativas. Na verdade, a consolidação do seu poder chegou quase à plenitude em 2016. A “facção subversiva” só precisava de mais um presidente “tacitamente socialista” antes de obter a vitória final e irreversível. Hillary Clinton foi escolhida para completar o processo, com sua eleição garantida. Contudo, falhou em derrotar um candidato tido como o azarão – Donald Trump.

Trump venceu as eleições com slogans como “prendam-na!” e “drenar o pântano!”. Mas a “facção subversiva” que hoje domina o Departamento de Justiça e o FBI formaram uma “apólice” usando o falso conluio entre Trump e a Rússia para minar a legitimidade do novo presidente. Em seguida começou uma campanha coordenada de mentiras, processos e insubordinações brotando por todo o governo, apoiada por outra campanha de mídia de uma perfídia sem precedentes.

Após várias tentativas de impeachment, seguiu-se um tipo de impeachment — com um espetáculo circense de fofocas dos burocratas e uma narrativa de supostos crimes assaz irrelevantes para serem levados a sério. Foi então que, no turbilhão de uma epidemia vinda da China, uma insurreição surgiu, coincidindo com a hora em que Trump está sendo desafiado nas eleições por um sujeito patentemente senil, corrupto, sem méritos, em suma, um zé-ninguém.

Esse breve panorama da nossa situação não se presta a uma previsão otimista. Muitos dos nossos cidadãos se esconderam, ano após ano, no “reduto protegido da esfera privada” descansando na posição segura de sua “propriedade privada”, abstendo-se das controvérsias políticas e entregando terreno político a pessoas e narrativas patológicas. Após muito tempo, esse “reduto protegido da esfera privada” não está mais a salvo. As saídas foram bloqueadas e um confronto agora é inevitável.

Segundo Jean Bodin, há, contudo, um lado positivo nisso tudo. Se uma insurreição falha, seu veneno será expurgado do corpo político. Uma multidão iludida pode ser curada desde que seus cabeças sejam capturados. E quem são esses cabeças, na verdade? Ao início do livro de Bodin, Sobre a Soberania, há um rol de princípios imprescindíveis para a existência de uma nação sem desordens. A pedra angular desses princípios irá surpreendê-los. Bodin escreveu que, antes de qualquer coisa, a ordem exige a distinção “entre uma nação e um punhado de ladrões ou piratas. Com eles não se pode ter relação, comércio ou aliança.”

A facção perigosa que hoje divide o país tem suas raízes numa ideologia de banditismo e pirataria. Não se enganem. Essa também é a ideologia de Pequim, Havana e outros poderes hostis. Nosso erro mais grave foi tecer “relações” e “comércio” com os comunistas chineses. Foi também um erro grave que sua ideologia de espoliação universal tivesse permissão de se enraizar em nossas escolas e universidades. Dali o veneno foi espalhado e a violência revolucionária agora nos ameaça.

 

Jeffrey Nyquist, autor de obras como ‘The Origins of The Fourth World War’ e ‘O Tolo e seus Inimigos’, é expert em estratégia e formado em sociologia política pela Universidade da Califórnia.

© 2020 Jeffrey R. Nyquist
https://jrnyquist.blog

Tradução: Rafael Resende Stival

 

 

1 comentário
  1. Rodrigo Diz

    Excelente artigo. Este é um momento crucial para civilização ocidental.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.