Como a China está dominando o genoma humano

Por Anders Corr

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Foto: Técnicos do laboratório de testes genéticos do BGI em Kunming, província de Yunnan, China, em 26 de dezembro de 2018. (Stringer / Reuters)

 

Na última quinta-feira (8), o ex-secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo comentou a notícia sobre uma empresa chinesa de pesquisa genética está colhendo dados genéticos de todo o mundo, o que poderia estar conectado a um programa de eugenia ou bioarmas do Partido Comunista Chinês. “Tudo o que o governo deles faz está ligado aos militares”, disse Pompeo em um podcast. “E tudo o que vem sob a face de seu setor privado está conectado a esse governo e a tais militares.”

No dia seguinte, um porta-voz do Ministério da Saúde alemão disse que o país estava levando a sério a notícia da colheita de genes por uma empresa chinesa que comercializa testes pré-natais na Alemanha e em outros países europeus. O porta-voz disse que a Alemanha levaria a questão à Comissão Europeia.

Os geneticistas Wang Jian e Wang Jun fundaram a empresa chinesa agora chamada BGI, com sede em Shenzhen, em 1999, como uma empresa apoiada pelo estado que originalmente se chamava Instituto de Genômica de Pequim. A BGI foi fundada para desenvolver o “Projeto Genoma Humano”. Wang Jian trabalhou como pesquisador nos Estados Unidos por seis anos, começando em 1988. A BGI é parcialmente propriedade do regime chinês, e segundo a Reuters, no último relatório anual da empresa consta que “tem trabalhado muito para promover a tecnologia chinesa, a experiência chinesa e os padrões chineses para ‘se tornar global’”.

Embora a Reuters tenha informado que o teste da BGI não seja comercializado nos Estados Unidos, a conhecida empresa de testes genéticos 23andMe é parcialmente controlada por entidades chinesas e há preocupações sobre se os dados do 23andMe têm sido compartilhados, vazados ou hackeados pelo regime chinês. Em 2020, as tentativas de uma empresa de testes genéticos pré-natais de se estabelecer perto de uma base militar em San Diego foram bloqueadas pelo governo dos EUA.

O governo dos EUA alertou aos funcionários de Nevada em 2020 para não usar uma doação de 250 mil kits de testes de coronavírus da BGI, facilitado por Peng Xiao, o CEO do G42, que buscou implantar um laboratório de teste de coronavírus em Nevada. As autoridades americanas expressaram preocupação com a privacidade do paciente e Nevada recusou a oferta. No entanto, uma tentativa semelhante da BGI de comercializar seus testes de coronavírus nos Estados Unidos diretamente para as autoridades estaduais, municipais e municipais foi em parte bem-sucedida e resultou em centros de testes na Califórnia e no Kansas.

A BGI conta com o apoio de acadêmicos proeminentes nos EUA, incluindo o geneticista de Harvard George Church, que desde 2007 integra o conselho consultivo científico da empresa, segundo o Washington Post. O BGI fundou um instituto em 2017 chamado George Church Institute of Regenesis, com uma dúzia de funcionários do BGI na China, que colabora com o laboratório de Harvard de George Church.

O Washington Post resumiu declarações de Church assim: Instituto tenta “sintetizar organismos feitos de DNA humano, entre outros projetos”. De acordo com o Post, o laboratório de Church  “também tem uma relação comercial com a BGI: os consumidores que desejam seus genomas decodificados podem enviar amostras de saliva para uma empresa que ele co-fundou, a Nebula Genomics, que as envia aos laboratórios BGI em Hong Kong para sequenciamento”. Os professores que mesclam suas pesquisas e negócios com a China podem ser incentivados a compartilhar mais dados com o país totalitário do que fariam de outra forma.

A Universidade da Califórnia em Davis também colabora com a BGI.

O Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS) forçou a venda da participação da China em uma empresa de tecnologia da saúde, a PatientsLikeMe, em 2019. A participação da China era detida pela iCarbonX, fundada por Wang Jun, do BGI. Aproximadamente 700 mil pessoas confiaram à PatientsLikeMe seus dados de saúde.

O CFIUS foi estabelecido em 1975 pelo presidente Gerald Ford e expandido por Donald Trump.

Uma subsidiária da BGI, a Forensic Genomics International vendeu à polícia chinesa os suprimentos de coleta e análise de DNA usados ​​desde 2017 em milhões de homens na China, incluindo crianças. Homens e meninos sem antecedentes criminais graves não poderiam razoavelmente ter dado consentimento a atos como esse.

O BGI e a G42, uma empresa dos Emirados Árabes Unidos, iniciaram um laboratório de testes de coronavírus em 2020 em Abu Dhabi, e o BGI estabeleceu laboratórios semelhantes em Angola, Austrália, Brunei, Cazaquistão, Arábia Saudita, Sérvia, Suécia e Togo, conforme informaram a Associated Press e o Washington Post. A Arábia Saudita implantou seis laboratórios de testes do BGI com 500 especialistas chineses, após uma ligação entre o rei Salman e ditador Xi Jinping.

Os valores defendidos por americanos, britânicos, japoneses e europeus apoiam uma política que se esforça para manter a ciência aberta e acessível globalmente. Mas essas políticas estão sendo exploradas pelo regime chinês, que agora pode acessar dados genéticos de populações ocidentais e aliadas, embora não ofereça reciprocidade. Esse compartilhamento de dados genéticos da parte das democracias com a China é irresponsável, diante do bem documentado genocídio contra os uigures e o roubo de dados generalizado em todo o mundo. O fracasso dos governos dos EUA e aliados em proibir a coleta de dados genéticos femininos pela China, apesar do alerta do Centro Nacional de Contra-Espionagem e Segurança dos EUA (NCSC) contra o BGI e outras ações de roubo de informações por parte da China, é irresponsável e um abandono de seus deveres governamentais mais básicos na proteção dos cidadãos.

 

Anders Corr é mestre em Ciências Políticas pela Yale e doutor em “Government” por Harvard. Diretor da Corr Analytics Inc., editora do Journal of Political Risk, conduziu uma extensa pesquisa na América do Norte, Europa e Ásia. Autor de “The Concentration of Power” (no prelo) e “No Trespassing”, também editou a obra “Great Powers, Grand Strategies”.

Do The Epoch Times.
Tradução e edição: Editoria MSM

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